Críticas da peça "Panos & Lendas"

 

Primeiro texto de Capella ganha montagem eufórica

A Cia. Pic & Nic devolve
Panos & Lendas
ao palco com menos
poesia e mais energia

DIB CARNEIRO NETO

       Panos & Lendas é o terceiro trabalho da Cia. Pic & Nic o terceiro de Chico Cabrera como diretor e a segunda vez que o grupo encena um texto do premiado Vladimir Capella. E um grupo artisticamente coerente. Um Dia de Pic e Nic, a estréia da companhia, era um magnífico exercício para dois clowns. Depois, veio Avoar, de Capella, e agora Panos & Lendas, em cartaz no teatro do Hospital Santa Catarina.
O espetáculo é o primeiro do extenso currículo de sucessos de Capella. Está completando 21 anos. Teve duas montagens anteriores: em 1978 e em 1991, ambas dirigidas pelo próprio autor. Impossível não fazer comparações. Cabrera, na sua versão, parece ter optado pela euforia. Capella, na sua visão de autor, ganha em poesia.
        

 

 
O nome da peça diz tudo sobre o que ela é: panos e lendas. Um empolgante painel de personagens, lendas e crendices do povo do Brasil desfila pelo palco, enquanto os atores dobram, desdobram, esticam, encolhem, vestem e despem todos os panos do figurino.

 

    Mais, outra diferença com relação às montagens anteriores é que tem a ver com a perda (não a ausência) de poesia da atual encenação , é que os panos escolhidos pela figurinista (a atriz Rita Ivanoff, também no elenco) são demais grosseiros e pesados do que a prevalência de véus (mais próprios para a linguagem da delicadeza) da figurinista anterior, Vaionice Vieira Bolla. Numa atitude simpática, coerente com a proposta do espetáculo , a Cia Pic & Nic literalmente recepciona as pessoas na platéia. Enquanto não soa o terceiro sinal, os atores ficam misturados ao público, conversando e interagindo, numa espécie de preparação para a festa de alegria que vai ocorrer no palco. As cenas que nas montagens anteriores tinham um ritmo mais calmo e lírico, aqui são carregadas de energia. Isso não é necessariamente um defeito,é só uma questão de opção do diretor, que não tira o brilho do trabalho antológico do autor. Vale a pena levar a geração atual de crianças para ouvir Terezinha de Jesus, Escravos de Jó, Tutu Marambá e Boi da Cara Preta.       
O Estado de São Paulo - 17/09/1999


 

Panos e Lendas é simples e criativa

Este é o último fim-de-semana para ver "Panos e Lendas", espetáculo com texto de Vladimir Capella e José Rocha, montado por Chico Cabrera e o grupo Pic & Nic. A peça estreou em 78, com música ao vivo. Foi remontada em 91 e ficou três anos em cartaz.
Geralmente, as montagens de Capella são produções caras e com efeitos exuberantes de luz, cenário e figurino. A atual montagem de "Panos e Lendas" é diferente. Simples, com poucos recursos materiais, mas rica em soluções imaginosas.
O enredo trata da criação e do desenvolvimento do mundo. O índio criou o mundo e transmite seus ensinamentos ao filho, que depois o substitui na função de cuidar da natureza.
O mito ensina os homens a cantar e a preservar sua cultura. Cantigas e brincadeiras infantis são revisitadas. Seu filho (ou filha) vai conhecer um mundo que não existe mais.

 

(Mônica Rodrigues da Costa)
Folha de São Paulo
 

Revista Veja

 

 

Jornal da Tarde - 15/11/2002

Um Público muito exigente: as crianças

 

Fazer sucesso em teatro infantil não é nada fácil. Quatro peças em cartaz buscam seduzir a platéia com qualidade, atores carismáticos e histórias clássicas

MAYRA STACHUK
Jornal da Tarde
     
O que faz uma peça infantil ter sucesso? Primeiro de tudo a qualidade, assim como um espetáculo adulto. Mas para os diretores de algumas peças infantis em cartaz há mais de um ano na cidade, agradar às crianças exige algumas peculiaridades.
Paulo Raffanti, que tem duas peças em cartaz há muito tempo - 'Saltimbancos', que é apresentada há 15 anos e 'Branca de Nave e os Sete Anões', desde janeiro de 2001 - acredita que a principal diferença está no elenco. "Atores famosos não atraem crianças, mas, sim, atores carismáticos e capazes de interpretar um animal com o mesmo capricho que faria Hamlet".
Chico Cabrera, ator e diretor do infantil 'Panos e Lendas' que sua companhia, a Pic & Nic, apresenta desde agosto de 1999, resume em poucas palavras: boa história e qualidade. "Fazer teatro é muito difícil. Infantil então é uma luta constante. Por isso é preciso muita paixão pelas crianças. Só assim dá pra conquistá-las". 'Panos e Lendas' foi vista por masi de 110 mil pessoas em cerca de 430 apresentações. "E já estamos negociando renovação para o ano que vem", diz Cabrera.
'Da Vinci Pintando o Sete', também está chegando perto dos 100 mil espectadores. Em cartaz desde abril de 2000, já fez, segundo o diretor Carlos Tamla, mais de 250 apresentações em todo o Estado. Para ele, o fato de a peça fazer parte do projeto Arte e Ciência no Palco, que tem um objetivo educacional, atrai a atenção de escolas e pais e ajuda a mantê-la em cartaz. A Mensagem que 'Da Vinci Pintando o Sete' deixa para as crianças é de que "o erro de hoje faz parte do acerto de amanhã". "Todo grupo que tem um repertório luta para que as peças possam estar sempre disponíveis para entrar em cartaz", diz Talma. 
Todos concordam que o principal aspecto para o sucesso de um infantil são os clássicos, aquelas histórias que todos os pais contam para as crianças. Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve, Os Três Porquinhos e Cinderela.
A prova disso é que esses clássicos são montados por diversos grupos todos os anos. Em cartaz com sucesso, além da 'Branca de Neve' de Raffanti, está 'Chapeuzinho Vermelho', encenada pela companhia Le Plat du Jur no Teatro Folha desde março do ano passado. A peça foi vista por 7 mil espectadores em 234 apresentações.

Jornal da Tarde - 15/11/2002

 
PANOS E LENDAS
Um grupo que conta estórias
com talento e emoção

      Panos e Lendas, narra a criação do mundo, fala do homem, de suas raízes e das suas emoções. Mostra o ciclo da vida com ternura e simplicidade.
Recheado de Lendas brasileiras, cantigas de roda e de ninar, vem mostrar nosso folclore com muita alegria, cores e musica cantada e tocadas ao vivo pelos atores que como mestres de cerimônias apresentam e contam as estórias com muita graça e sensibilidade.
A peça escrita por dois talentosos homens de teatro Wladimir Capela e José Geraldo Rocha completou mais de 21 anos, mas como todo clássico o tempo não significa muito para esta obra, pois nessa versão mostra-se um espetáculo vivo e empolgante.
     
       A proposta de Chico Cabrera nos encanta já quando entramos no teatro.
Nos faz lembrar aquelas companhias mambembes em que o seu maior prazer é a de mostrar sua arte, cantar, interpretar e se comunicar com o publico.
Os atores cantam e interpretam com muito conhecimento do oficio. Tocando instrumentos e mostrando-se carismáticos e envolventes com o publico infantil.
As coreografias são muito bem elaboradas, fazendo de cada cena um quadro.

      Entre as boas atuações destacamos Rita Ivanoff fazendo a Arara, Sonia Andrade na Cotia. Fabio Rosa no papel do filho, Vivian Bertocco na rainha e Fabiano Goulart cantando e interpretando personagens cômicos, com maestria.
Sentimos no grupo os dez anos de trabalho, discussão e luta para mostrar sua arte, vemos atores consolidados com a proposta e com muito domínio de palco.
A Iluminação é correta. O cenário e adereços para compor as cenas mostram-se eficientes.
Os figurinos discordam da linha da direção. Precisaria uma melhor proposta estética para completar esta boa encenação, como também a integração de um preparador corporal para possibilitar um salto qualitativo da companhia.

      Meu destaque para este grupo: É a escolha do texto.
As crianças urbanas que têm como únicos referenciais a TV e gibis e alguns livros, quase não conhecem o folclore do país.
Este tipo de montagem faz-se imprescindível nas grandes cidades, onde no dia a dia, vão se perdendo as origens.
      A diversidade é muito importante na arte. Pensando que o teatro é cultura e educação aqui temos um bom exemplo.
      Com talento e emoção a companhia Pic Nic nos mostra canções, lendas e estórias que resgatam um Brasil mais poético e alegre.

Cotação: Bom
Pámela Duncan
A crítica esta no site: www.duncan-puebla.ato.br

 

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